Os riscos e benefícios à saúde do consumo de peixe

 

Os riscos e benefícios à saúde do consumo de peixe (26 de janeiro de 2021)

 

Quais são os riscos e benefícios à saúde do consumo de peixe? O peixe tem a reputação de ser um dos alimentos mais saudáveis que podemos consumir.

Mas o aumento da disponibilidade de alternativas de origem vegetal e as crescentes preocupações em relação à sustentabilidade dos frutos do mar e à sua pegada de carbono levaram algumas pessoas a questionar se precisamos dele em nossa alimentação.

 

Metais pesados

Nas últimas décadas, uma das maiores preocupações em relação

aos peixes tem sido seus níveis potencialmente prejudiciais à saúde

de poluentes e metais.

Entre eles, estão os bifenilos policlorados (PCBs). Embora tenham sido proibidos na década de 1980, esses produtos químicos industriais foram usados em grandes quantidades em todo o mundo — e ainda permanecem em nosso solo e na água.

Eles têm sido associados a uma série de efeitos prejudiciais à saúde — do sistema imunológico ao cérebro. Embora os PCBs estejam presentes em tudo, de laticínios à água potável, os níveis mais elevados tendem a ser encontrados em peixes.

O possível problema do acúmulo de componentes tóxicos é provavelmente mais preocupante no caso das espécies selvagens capturadas para consumo humano direto.

Como os ingredientes de origem marinha que servem de alimento aos peixes criados em cativeiro são lavados para remoção de toxinas, esses peixes costumam ser mais seguros do que os selvagens.

Outra preocupação é o mercúrio, uma neurotoxina que pode passar pela placenta e afetar o desenvolvimento do feto.

Há inúmeras associações entre a ingestão de mercúrio e câncer, diabetes e doenças cardíacas. Embora o mercúrio possa ser encontrado em outros alimentos, como legumes e verduras, um estudo mostrou que 78% da ingestão de mercúrio era proveniente de peixes e frutos do mar.

Embora pesquisas ainda estejam em andamento, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos arma atualmente que, para mulheres grávidas, a concentração média de mercúrio mais alta permitida por porção, se comer uma porção por semana, é de 0,46 ppm.

No entanto, embora o mercúrio represente um pequeno risco, os peixes proporcionam muito mais ganhos — especialmente o ômega 3 marinho.

 

Ácidos graxos

O consumo de peixes oleosos, incluindo salmão, atum, sardinha e cavalinha, tem sido associado a um menor risco de doenças cardiovasculares, graças aos ácidos graxos do ômega 3 marinho, o ácido eicosapentaenóico (EPA) e ácido docosahexaenoico (DHA).

Algumas fontes vegetais de ômega 3, como sementes de linhaça e nozes, são ricas em um terceiro tipo — o ALA. Um estudo de 2014 concluiu que os benefícios para a saúde do coração do ômega 3 à base de plantas podem ser comparáveis aos do EPA e DHA, mas ainda não há pesquisas que sustentem isso.

No entanto, você pode encontrar EPA e DHA em suplementos de algas e em algas comestíveis.

Os dados populacionais que analisam os efeitos do ômega 3 marinho na saúde são consistentes e fortes, e mostram que as pessoas com maior ingestão de EPA e DHA apresentam um risco menor de desenvolver doenças comuns, especialmente doenças cardíacas, e morrer delas.

Uma maneira de evitar potenciais danos à exposição ao mercúrio e ainda obter ômega 3 é tomar suplementos de óleo de peixe. No entanto, uma pesquisa realizada recentemente a pedido da Organização Mundial da Saúde (OMS), analisando os suplementos de ômega 3 em uma variedade de quadros de saúde, descobriu que eles não têm o mesmo efeito que comer peixes gordurosos.

Nossos corpos estão adaptados para metabolizar alimentos inteiros, ao invés de uma única dose de um nutriente ou ingrediente específico.

Além disso, pesquisas mostram que os peixes podem impactar nossa saúde em vários graus, dependendo de quão bem somos capazes de converter formas precursoras de EPA e DHA. Essa diferença pode se resumir à alimentação e ao estilo de vida de uma pessoa em geral.

 

Comida para o cérebro

Além do ômega 3, o peixe tem outros nutrientes que fazem bem à saúde, incluindo o selênio, que protege as células contra danos e infecções; iodo, que suporta um metabolismo saudável; e proteína.

O peixe é considerado há muito tempo um "alimento para o cérebro". E um estudo recente sugere que isso não se deve apenas ao seu teor de ômega-3 — embora pesquisas também tenham encontrado uma relação entre o ômega 3 e o declínio cognitivo mais lento.

Pesquisadores compararam o volume do cérebro de pessoas que consumiam peixe com o daquelas que não consumiam — e descobriram que peixes assados ou grelhados estão associados a maiores volumes de massa cinzenta, independentemente dos níveis de ômega-3.

 

"O volume do nosso cérebro muda com a melhora da saúde e a doença. Quanto mais neurônios você tem, mais volume cerebral você tem", diz CyrusRaji, professor assistente de radiologia e neurologia da Escola de Medicina da Universidade de Washington, nos EUA.

Os pesquisadores compararam os hábitos alimentares e imagens de ressonância magnética de 163 participantes que tinham, em média, mais de 70 anos.

E descobriram que, em comparação com os participantes que não comiam peixe, aqueles que comiam peixe semanalmente tinham volumes cerebrais maiores — principalmente no lobo frontal, que é importante para o foco, e nos lobos temporais, cruciais para a memória, aprendizagem e cognição.

 

A relação entre os peixes e o cérebro pode ser devido ao fato de os peixes terem um efeito anti-inamatório, diz Raji, uma vez que quando o cérebro reage para reduzir uma inamação, ele pode afetar as células cerebrais no processo.

"Isso significa que você pode melhorar a saúde do cérebro e prevenir o mal de Alzheimer com algo tão simples como o consumo alimentar de peixes", sugere Raji.

Para tornar o cérebro o mais resistente possível à demência, ele aconselha começar a comer peixe pelo menos uma vez por semana quando você estiver na casa dos vinte ou trinta anos.

Outra razão pela qual os peixes podem ser saudáveis é porque eles substituem alimentos menos saudáveis em nossas dietas.

Se comermos mais peixe, tendemos a comer menos outras coisas.

Ainda assim, como não há pesquisas robustas que sugiram problemas de saúde sérios para quem não come peixe, pesquisadores digam que é difícil armar categoricamente que o peixe é essencial para a saúde humana em geral. No entanto, ele acrescenta, é claro que o ômega 3 promove a saúde e reduz o risco de doenças.

Mas chegar ao fundo da questão sobre o quão saudável os peixes realmente são pode ser irrelevante depois de um tempo.

 

Como o peixe não é uma fonte alimentar sustentável, as pesquisas agora provavelmente vão se concentrar em soluções para isso — como cultivar algas e colher óleo rico em ômega 3, em vez de mais estudos sobre peixes.

As pessoas podem contribuir escolhendo as espécies de peixe mais sustentáveis disponíveis.

Guias como o da Marine Conservation Society mostram quais são os melhores, com 50 das 133 espécies listadas apontadas como escolhas "boas", em sua maioria sustentáveis — incluindo, felizmente, algumas opções populares, como salmão de cativeiro, camarão, bacalhau, cavalinha, mexilhões, ostras e linguado de cativeiro.

 

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